Tags: , , – Categories: movies – September 13, 2009 – 8:45 am – link

Anticristo (spoiler)

O filme não “chegou em mim”. Mas por diversão, e talvez porque ele se preste a isso, fico aqui tentando juntar partes como com um quebra-cabeça.

A psicanálise é razão sem coração. Gosto tanto da roda amarrada aos pés, lembra tanto histórias de bruxas. O pênis, o clitóris — de algum jeito, os corolários da razão. Os três mendigos, ou, the three beggars (fica melhor em inglês) –

– três animais dos contos de fadas-bruxas; em ordem: the deer, the fox and the crow; o veado, a raposa e o corvo; the grief, the pain and the despair. O veado dá a luz (nascimento) (luto), a raposa está à beira da morte (morte) (dor) e o corvo chora (desespero). Sabidamente (?) a raposa é a esperteza, o corvo o arauto de mau-agouro e o veado (não sei). São três fantasmas que se encontram em momentos propícios.

A natureza que é má, que trás à vida esperando a morte. E, talvez o último elemento, a(s) bruxa(s). São mulheres que eternamente, em lugar sagrado, executam ritos.

Ah, também a criança, liberdade, que tomba os três mendigos e se liberta. A criança não é desse mundo.

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Os temas são bonitos: três mendigos, viajantes do tempo. Uma bruxa. Um homem em aventura. Uma criança que anuncia uma história. Em um ritmo da natureza, um tambor de três partes. Ao invés da descoberta interior, a manipulação dos interiores (melhor que psicanálise, bruxarias; mais concreto, mais caudaloso).

Mas ainda acho que o diretor ainda é aprendiz.

Anticristo (spoiler)
O filme não “chegou em mim”. Mas por diversão, e talvez porque ele se preste a isso, fico aqui tentando juntar partes como com um quebra-cabeça.
A psicanálise é razão sem coração. Gosto tanto da roda amarrada aos pés, lembra tanto histórias de bruxas. O pênis, o clitóris — de algum jeito, os corolários da razão. Os três mendigos, ou, the three beggars (fica melhor em inglês) –
– três animais dos contos de fadas-bruxas; em ordem: the deer, the fox and the crow; o veado, a raposa e o corvo; the grief, the pain and the despair. O veado dá a luz (nascimento) (luto), a raposa está à beira da morte (morte) (dor) e o corvo chora (desespero). Sabidamente (?) a raposa é a esperteza, o corvo o arauto de mau-agouro e o veado (não sei). São três fantasmas que se encontram em momentos propícios.
A natureza que é má, que trás à vida esperando a morte. E, talvez o último elemento, a(s) bruxa(s). São mulheres que eternamente, em lugar sagrado, executam ritos.
Ah, também a criança, liberdade, que tomba os três mendigos e se liberta. A criança não é desse mundo.
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Os temas são bonitos: três mendigos, viajantes do tempo. Uma bruxa. Um homem em aventura. Uma criança que anuncia uma história. Em um ritmo da natureza, um tambor de quatro partes (três mais um epílogo). Ao invés da descoberta interior, a manipulação dos interiores (melhor que psicanálise, bruxarias; mais concreto, mais caudaloso).
Mas ainda acho que o diretor ainda é aprendi
2 responses to: Anticristo (spoiler)
  1. Acredito que o autor não esteja preocupado em atribuir significados a esses animais. São arquétipos, mas não no contexto de uma teoria dos arquétipos, eles servem para expor uma única coisa, que é a insanidade humana e a insanidade até mesmo de algo como essa teoria. Claramente a loucura dela e a locura dele são os dois lados da moeda. Ainda que Eva tenha provado o fruto e Adão o tenha deliberadamente consumido, os dois caíram!

  2. Eu entendi a parte dos “3 mendigos” como uma alusão aos “3 reis magos”. Na história cristã, os 3 reis magos são guiados por uma estrela até chegarem ao local onde Jesus acabara de nascer; eles traziam com eles presentes para o menino.

    Já os três mendigos do Anticristo, uma constelação que não existe, são exatamente o oposto dos três reis magos, chegam num momento em que alguém tem que morrer. Em português, para ficar mais explícito, a melhor tradução seria “Os 3 pedintes”.

    Reunidos na cena, me lembram também a cena em que o menino Jesus nasceu, em meio aos animais.

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